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Maurício Wesley Perroud Junior
Médico Pneumologista
Mestre em Clínica Médica pela FCM/UNICAMP.
Gerente de Serviços de Apoio Médico - Hospital Estadual Sumaré / UNICAMP.
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A asma é uma
doença
inflamatória
crônica,
caracterizada
por
hiperresponsividade
das vias
aéreas
inferiores e
por
limitação
variável ao
fluxo aéreo,
reversível
espontaneamente
ou com
tratamento,
manifestando-se
clinicamente
por
episódios
recorrentes
de sibilância,
dispnéia,
aperto no
peito e
tosse,
particularmente
à noite e
pela manhã
ao
despertar.
Estudo
multicêntrico
(International
Study for
Asthma and
Allergies in
Childhood –
ISAAC)
realizado em
56 países
mostrou uma
variabilidade
de asma
ativa de
1,6% a
36,8%,
estando o
Brasil em 8º
lugar, com
uma
prevalência
média de
20%. Em
2005, o
Ministério
da Saúde
registrou
293.427
internações
e 2.603
óbitos por
asma no
Brasil.
O primeiro
relato de um
indivíduo
com quadro
de asma foi
identificado
em um
tratado
chinês de
medicina
interna
datado de
2600 a.C. A
palavra asma
é derivada
do grego e
significa
respirar com
a boca
aberta,
ofegar; e
aparece na
língua
inglesa em
torno do ano
1600. Até os
meados do
século XVII,
asma era uma
denominação
inespecífica
associada a
qualquer
condição
clínica que
se
apresentava
com
dispnéia. A
constelação
de achados
físicos e
sinais que
atualmente
reconhecemos
como asma
foi descrita
em 1698 por
John Floyer
que
desenvolveu
asma após
uma infecção
respiratória.
Floyer fez
uma
descrição
detalhada
dos sinais e
sintomas, do
tratamento,
da prevenção
e
prognóstico.
Também
descreveu o
componente
hereditário
da asma e os
numerosos
fatores de
exacerbação,
como a
poluição do
ar,
infecção, ar
frio,
exercício,
sono,
estresse
psicológico
e tabagismo.
De forma
astuta
observou o
benefício do
ar limpo e
da mudança
do ambiente.
Floyer
definiu a
asma como
uma
respiração
forçada com
elevação dos
ombros e
sibilos;
compreendeu
que a doença
era
intermitente
e episódica,
e que o seu
tratamento
consistia em
terapia de
resgate e de
controle.
A terapia
inalatória é
tão
fundamental
para o
manejo atual
da asma que
é difícil
imaginar a
época em que
a doença era
tratada sem
esta
modalidade
terapêutica.
O
desenvolvimento
da terapia
inalatória
sintetiza o
rápido
desenvolvimento
da
tecnologia
médica que
ocorreu na
segunda
metade do
século
passado. É
fácil
imaginar a
inalação de
medicamentos
como uma
abordagem
moderna, mas
a
inaloterapia
já era
utilizada na
Índia há
4000 anos. O
termo
inalador foi
empregado
pela
primeira vez
por John
Mudge, um
médico
inglês, em
1778 no seu
livro “A
Radical and
Expeditious
Cure for a
recent
Catarrhous
Cough”, no
qual
descreveu o
seu invento
feito a
partir da
adaptação de
um caneco
utilizado
para a
inalação de
vapor de
ópio para
tratamento
da tosse.
Entretanto,
a primeira
figura de um
inalador
apareceu no
livro de
Chistopher
Bennet –
Theatri
Tabidorum –
publicado em
1654. Em
1764, Philip
Stern
definiu que
a única
possibilidade
de aplicar
medicamentos
diretamente
nos pulmões
é através da
traquéia. Em
1864, em
Londres,
Newton
patenteou um
sistema de
inalação
para
medicação em
pó seco; ele
observou que
o pó deveria
ser mantido
seco e
pulverizado
com cuidado,
princípios
que são
aplicados
aos atuais
inaladores
de pó seco.
O primeiro
relato do
benefício da
terapia com
broncodilatador
na asma foi
feito por
James
Burnett, um
médico de
Edinburgh,
em 1903.
Entretanto,
a terapia
inalatória
foi
revolucionada
pela
invenção do
nebulizador
pMDI (pressurised
metered dose
inhaler) no
início dos
anos 50 e
pela sua
introdução
na prática
clínica em
1956. Este
sistema foi
rapidamente
difundido,
pois pela
primeira vez
havia um
método fácil
e efetivo na
liberação do
broncodilatador.
Ao todo, a
primeira
metade do
século XX
foi marcada
por
invenções
notáveis:
-
Nos anos 20,
houve a primeira
menção de
inalação de
atropina através
de um
pulverizador foi
feita por Hurst;
-
Em 1924, Schmid
e Chen
identificaram a
efedrina que foi
utilizada
posteriormente
por via
inalatória;
-
Nos anos 30, os
primeiros
nebulizadores
por compressores
foram utilizados
para a
administração de
extratos de
adrenal e
papaverina (Bronchovydrin);
-
Em 1940, a
isoprenalina foi
descrita por
Konzett e foi
rapidamente
disponibilizada
para inalação;
-
Em 1950, Reeder
and Mackay
trataram
pneumonia com
corticosteróide
inalatório e
desencadearam a
uma investigação
intensa sobre o
uso de
antiinflamatórios
por via
inalatória.
Gelfrand, em
1951, relatou o
uso de cortisol
inalatório em
cinco pacientes.
Em 1955, Foulds
utilizou a
hidrocortisona
na forma de pó.
Este trabalho
levou à
descoberta da
beclometasona
vinte anos mais
tarde.
Em 1972, foi
lançado o
primeiro
esteróide
inalatório,
a
beclometasona.
Posteriormente,
vários
corticóides
foram
desenvolvidos
e alguns
levaram ao
lançamento
de novos
inaladores.
No início
dos anos 90,
foram
publicados
vários
estudos que
abordaram a
fisiopatologia
da doença,
sua história
natural e
novas
abordagens
farmacológicas
que
continuam
presentes na
prática
clínica
atual.
Laitinen e
colaboradores
demonstraram
que
alterações
estruturais
e
inflamatórias
estavam
presentes
nas vias
aéreas dos
portadores
de asma
mesmo quando
estes
estavam
relativamente
bem. O mesmo
grupo
evidenciou
que os
pacientes
que foram
tratados
precocemente
com
corticóide
inalatório
apresentavam
melhor
resposta do
que os
pacientes
que
receberam,
inicialmente,
apenas com
broncodilatador.
Além disso,
este último
grupo não
recuperou a
função
pulmonar
quando o
tratamento
foi mudado
para a
corticoterapia
inalatória.
As
medicações
para o
tratamento
da asma
podem ser
classificadas
em dois
grupos: as
utilizadas
para
controle e
as indicadas
para o
alívio. As
drogas para
controle são
medicamentos
utilizados
diariamente
por longo
período e
mantêm a
doença sob
controle
devido aos
efeitos
antiinflamatórios.
As drogas de
alívio são
utilizadas
para
reversão do
quadro de
broncoespasmo
agudo. Os
medicamentos
podem ser
administrados
por
diferentes
vias –
inalatória,
oral ou
parenteral.
A maior
vantagem da
terapia
inalatória é
que as
drogas são
liberadas
diretamente
nas vias
aéreas,
produzindo
uma alta
concentração
local com um
risco
significantemente
menor de
reações
adversas
sistêmicas.
Os
corticosteróides
inalatórios
são as
drogas
atualmente
mais
eficazes
para o
controle da
asma. Grande
parte dos
pacientes
com asma
leve obtém o
controle com
doses
baixas,
enquanto que
outros
necessitam
de doses
moderadas ou
altas. O
tratamento
de
manutenção
com
corticosteróide
inalatório
reduz a
freqüência e
gravidade
das
exacerbações,
o número de
hospitalizações
e de
atendimentos
nos serviços
de
emergência,
melhora a
qualidade de
vida, a
função
pulmonar e a
hiperresponsividade
brônquica,
dimi¬nui a
broncoconstricção
induzida
pelo
exercício e
reduz o
número de
mortes.
Em pacientes
com asma
grave, a
associação
de
corticóide
inalatório
em doses
moderadas
com β2-agonista
de ação
longa
controla
melhor os
sintomas do
que o uso de
doses
elevadas do
corticóide
inalatório.
Além disso,
esta
associação
melhora a
sintomatologia,
reduz as
crises de
asma
noturna,
melhora a
função
pulmonar,
reduz o uso
de β2-agonista
de curta
ação, reduz
o número de
exacerbações
e permite o
controle
clínico da
asma em um
número maior
de
pacientes,
com maior
rapidez, do
que o uso
isolado de
corticosteróide
inalatório.
A grande
eficácia
desta
combinação
levou ao
desenvolvimento
de
combinações
fixas de
corticosteróides
e de β2-agonista
de ação
longa.
Estudos
controlados
demonstraram
que a
administração
conjunta
destas
drogas é tão
eficaz
quanto a
administração
por sistemas
distintos.
Além disso,
a combinação
de
budesonida e
formoterol
pode ser
utilizada no
tratamento
de
manutenção e
de resgate.
Esta
abordagem
terapêutica,
já aprovada
pelo órgão
regulatório
da União
Européia, é
interessante
para o
paciente por
ser mais
fácil de
usar e,
desta forma,
contribui
para a
aderência ao
tratamento.
Entretanto,
é necessário
ressaltar
que a
disseminação
dos
benefícios
dos novos
tratamentos
à população
está
intimamente
ligada à
condução da
política de
medicamentos
genéricos.
As vantagens
ultrapassam
os limites
do benefício
individual e
alcançam
toda a
sociedade,
pois reduz o
impacto da
asma no
custo
econômico e
social, ou
seja,
assistência
médica
direta, dias
perdidos de
trabalho ou
estudo,
entre
outros.
O
estabelecimento
de
metodologias
para
avaliação da
bioequivalência
é um dos
pontos
fundamentais
da política
de
medicamentos
genéricos.
Neste ponto,
os
medicamentos
inalatórios
impõem
desafios. A
bioequivalência
entre
maioria das
drogas pode
ser
determinada
através de
protocolos
clínicos com
foco na
farmacocinética
do produto
de
referência
versus o
genérico
(teste).
Tanto os
corticosteróides
inalatórios,
quanto os
beta-agonistas,
possuem
baixa
absorção no
tecido
pulmonar,
fato que
torna
praticamente
inviável o
estudo
comparativo
através da
farmacocinética.
Desta forma,
o
desenvolvimento
de
protocolos
para a
avaliação da
farmacodinâmica
é o melhor
caminho para
transpor
este
desafio.
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