Doença Alérgica
respiratória:
Novas
estratégias nos
estudos de
equivalência/bioequivalência.
|
 |
Ricardo
L
Zollner.
Médico,
Professor
Associado,
Livre
docente
em
Imunologia
Clínica
&
Alergia.
Laboratório
de
Imunologia
&
Alergia
Experimental,
Departamento
de
Clínica
Médica.
Faculdade
de
Ciências
Médicas,
Universidade
Estadual
de
Campinas. |
Informações
epidemiológicas
referentes a
alergia, como
manifestação
sindrômica e,
principalmente,
da Asma e
Rinopatia
alérgicas, têm
mostrado o
aumento de sua
prevalência como
fenômeno
mundial.
Variações
geográficas na
prevalência
vinculam-se ao
estilo de vida e
fatores
ambientais como,
poluição,
hábitos
alimentares,
padrões de
higiene,
condições de
urbanização e
climáticos são
fatores que
associados a
predisposição
genética são
responsáveis
pelo aumento nas
estatísticas nas
várias regiões
do planeta.
Assim, sua
incidência tem
atingido
proporções
epidêmicas
(10–50% para a
rinite alérgica
e 5–15% para a
asma),
estimativas
tanto para
países em
desenvolvimento
quanto os
considerados
desenvolvidos.
Além disso, 40%
dos pacientes
com rinite
alérgica têm
asma, e cerca de
80% dos
pacientes com
asma apresentam
sintomas
nasais.
A doença
alérgica afeta a
qualidade de
vida do
indivíduo
podendo
interferir,
comprometendo a
eficiência, em
suas atividades
normais
profissionais,
escolares e de
lazer,
aumentando os
custos na saúde.
Tanto nos Estado
Unidos da
América, quanto
no continente
Europeu, as
estimativas
relacionadas ao
custo direto ou
indireto com o
manejo da doença
alérgica pode
chegar a US$ 1.5
bilhões.
Atualmente a
alergia
respiratória é
considerada como
desordem do
trato
respiratório,
com
manifestações
diferentes nos
órgãos alvos
específicos,
isto é, nariz e
pulmões. Desta
forma, a alergia
respiratória do
ponto de vista
fisiopatológico
pode ser
considerada
“Duas faces de
uma mesma
moeda”.
O processo
alérgico
representa
complexa
interação entre
as células
locais e as
recrutadas para
o sitio
inflamatório
(nariz,
brônquios,
pulmões, tecido
vascular). A
evolução do
conhecimento de
sua
fisiopatologia e
aspectos
clínicos,
permite o
desenvolvimento
de drogas com
potencial de
interferir no
processo
inflamatório e,
consequentemente,
do curso da
doença.
A partir de
relatórios
baseados em
evidências
promovidos pela
“Allergic
Rhinitis and Its
Impact on Asthma
(ARIA) ” em
conjunto com a
Organização
Mundial de
Saúde, a
utilização de
anti-histamínicos
sob a forma oral
é considerada a
primeira escolha
no tratamento da
rinopatia
alérgica. O
advento da
corticoterapia
tópica nasal,
utilizada no
controle da
inflamação do
trato
respiratório
alto, trouxe
mais segurança e
conforto para
clínicos e
pacientes. Para
a asma, a
utilização de
novas
formulações de
beta agonistas
e, da mesma
forma que para a
rinite, a
utilização da
corticoterapia,
agora inalatória,
veio facilitar o
manejo daqueles
pacientes onde o
substrato
inflamatório
pouco controlado
necessitava
emprego de
corticoterapia
sistêmica
crônica com suas
conseqüências
iatrogênicas
amplamente
conhecidas.
Passo importante
dado pelo
governo
brasileiro, foi
o
estabelecimento
das bases legais
para a
implantação dos
medicamentos
genéricos e
similares por
meio da
Lei 9.787
10 de fevereiro
de 1999. Tal
disposição
atribuiu poderes
à
Anvisa
(Agência
Nacional de
Vigilância
Sanitária) para
regulamentação
das condições de
registro e
controle de
qualidade dos
medicamentos
genéricos e
similares e com
isso o incentivo
no
desenvolvimento
de tecnologia
nacional.
Em conseqüência,
foram criados
Centros de
Estudos de
Bioequivalência,
reconhecidos
pela Anvisa, com
propósito de
desenvolvimento
de estudos de
equivalência/bioequivalência
assegurando
intercambialidade
do medicamento
de referência
pelo seu
genérico/similar,
por testes de
apropriados
apresentados à
Agência Nacional
de Vigilância
Sanitária,
do
Ministério da
Saúde.
No caso do
desenvolvimento
de fármacos com
a rotulação de
genéricos e
similares, novas
estratégias
estão sendo
desenvolvidas
com objetivos de
redução de tempo
de estudo e
número de
voluntários
(sadios ou
doentes)
possibilitando,
dessa forma,
redução de
custos.
Graças a
aquisição
cumulativa, ao
longo dos anos,
do conhecimento
da
fisiopatologia
da inflamação
alérgica e das
alterações do
compartimento,
torna-se
possível a
proposição de
estudos voltados
à equivalência/
bioequivalência
considerando
aspectos da ação
da droga no
compartimento
(nariz/pulmão) e
outros
parâmetros
relativos aos
aspectos
funcionais e não
mais quanto aos
aspectos de
análise
tradicional de
biodisponibilidade
avaliada por
farmacocinética
clássica. Estas
drogas, desde
que empregadas
nas doses
convencionais
terapêuticas,
têm pouca ou
nenhuma
representação
plasmática,
passando os
critério de
resposta clínica
relativos ao
desfecho e dose
os parâmetros
adequados aos
estudos.
Quanto aos
estudos de
medicações e
sua aplicação na
terapêutica da
alergia
respiratória,
estes devem
levar em conta
seus efeitos
sobre inflamação
quanto aos
aspectos agudos,
imediatos e
tardios, e a sua
fase crônica no
compartimento
comprometido.
Para o clínico é
fundamental ter
disponíveis
medicações que
possam controlar
e, assim, evitar
a cronicidade da
inflamação,
principalmente
em seus aspectos
moleculares e
celulares
envolvidos na
“resposta
inflamatória
alérgica tardia”
que, ao se
cronificar, é
responsável
pelas
complicações da
doença alérgica
(fase de
“Remodelamento”).
Esta fase
corresponde as
alterações das
estruturas
funcionais que
passam a ser
menos
responsivas ao
tratamento,
levando ao que
denominamos de
pacientes
cortico-dependentes
ou resistentes.
Assim, voltados
para a
estratégia do
estudo dos
efeitos no
compartimento
nasal/pulmonar,
adaptados a
análise de
equivalência/bioequivalência
entre droga
referência e
teste, a
Scentryphar está
implantando e
implementando
estudos dos
efeitos de
drogas tópicas
no compartimento
nasal após
estímulos
provocativos
locais
(mimetizando a
inflamação
alérgica local),
isentos de
efeitos
sistêmicos, em
voluntários
sadios. Estes
agentes levam a
alterações
reversíveis do
ambiente nasal
que podem ser
mensurados por
meio de análises
qualitativos e
quantitativas.
Tal procedimento
permite analisar
e comparar as
drogas quanto ao
controle dos
efeitos destes
estímulos
provocativos
sobre o tecido
respiratório. Em
decorrência de
sua complexidade
como entidade
nosológica, os
ensaios clínicos
na sua maioria
necessitam
número elevado
de indivíduos e
estratificação
rigorosa dos
objetos de
estudo no
sentido de se
evitar “erros
sistemáticos”
responsáveis por
conclusões
inadequadas. Ao
contrário, o
modelo teste
proposto e em
desenvolvimento,
procura analisar
o(s) efeito(s)
da droga
referência
(antiinflamatório
tópico nasal) e
seu candidato
genérico ou
similar, a
partir de
estímulos não
específicos nas
câmaras nasais
em indivíduos
sem rinopatia
alérgica. Estes
agentes/mediadores
irritativos
quando
disponibilizados
no tecido
promovem
alterações como
vasodilatação e
estimulação
nervosa local
semelhantes
àquelas que
ocorrem em
indivíduos
alérgicos
simulando,
agudamente,
parte das
alterações
inflamatórias no
compartimento
nasal do
alérgico. Desta
forma, o
comportamento e
efeito da droga
teste deverá
acompanhar a
droga
referência.
Para medicações
inalatória, ao
contrário da
tópica, embora a
estratégia de
utilização de
estímulo não
específico possa
ser empregada, é
necessária a
identificação de
indivíduos que
se encaixem com
o diagnóstico de
“síndrome de
hiperreatividade
brônquica”
podendo, neste
caso, ser
empregados
portadores de
asma alérgica
(leve) como
população de
estudo. Contudo,
em ambos os
casos, tanto
para medicações
tópica quanto
inalatória, os
agentes
provocativos não
devem ter ação
sistêmica e,
devem,
necessariamente,
ter ação
reversível no
órgão teste.
Além disso, o
emprego da
corticoterapia
tópica ou
inalatória, nas
doses usuais
terapêuticas não
apresentam
absorção
sistêmica e
comprometimento
do eixo
hipófise-adrenal,
mas efeitos
adversos
mínimos.
Por fim, devido
aos efeitos
benéficos do
corticosteróide
tópico ou
inalatório na
modulação da
inflamação
alérgica, novas
estratégias de
estudos devem
ser estimuladas
objetivando o
desenvolvimento
de medicamentos
genéricos e
similares que
favoreçam a
redução de
custos
permitindo maior
acesso da
população doente
aos
medicamentos.
Rerferências
Barnes PJ. New
drugs for
asthma. Nat Rev
Drug Discov
2004, 3:831–44
Bousquet J, Van
Cauwenberge P,
Khaltaev N, et
al. Allergic
Rhinitis and its
Impact on Asthma
(ARIA) in
collaboration
with the World
Health
Organization
(WHO). J Allergy
Clin Immunol
2001, 108 (Suppl):
S147–S336.
Davies DE, Wicks
J, Powell RM,
Puddicombe SM,
Holgate ST.
Airway
remodeling in
asthma: new
insights. J
Allergy Clin.
Immunol 2003;
111:215–25.
Guidance for
Industry:
Bioavailability
and
Bioequivalence
studies for
nasal aerosols
and nasal sprays
for local
action. FDA,
Biopharmaceutics,
April 2003.
Naclerio RM,
Rosenwasser LJ,
Ohkubo K.
Allergic
rhinitis:
current and
future
treatments. Clin
Exp Allergy Rev
2002; 2:137–47.
Ruby Pawankar.
Allergic
rhinitis and
asthma: the
link, the new
ARIA
classification
and global
approaches to
treatment.
Editorial
Review. Current
Opinion in
Allergy and
Clinical
Immunology 2004,
4:1–4
S. R. Downie, M.
Andersson, J.
Rimmer1, J. D.
Leuppi, W.
Xuan1, A.
Akerlund, J. K.
Peat, C. M.
Salome.
Association
between nasal
and bronchial
symptoms in
subjects with
persistent
allergic
rhinitis.
Allergy
2004, 59:
320–326
Storpirtis S;
Marcolongo R,
Gasparotto, FS;
Vilanova CM. A
equivalênica
farmacêutica no
contexto da
intercambialidade
entre
medicamentos
genéricos e de
referência:
Bases técnicas e
científicas:
abril/04.
www.anvisa.gov.br