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Dr.
Antonio
Amarante
Responsável
pelo
Departamento
de
Estatística
da
Scentryphar
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Em todo experimento
(lembremos que os
estudos para
avaliação de
bioequivalência são
experimentos) usa-se
um plano
experimental (em
inglês,
experimental design).
Existem muitos tipos
de planos e
dependendo da
situação
recomenda-se um ou
outro. Mas afinal,
qual a razão disso?
É realmente
fundamental seguir
exatamente o plano
experimental (PE)? E
se não o fizermos, o
que muda? É possível
ou vantajoso alterar
um plano
pré-estabelecido
para, por exemplo,
tornar mais fácil a
aplicação do plano?
Estas e muitas
outras perguntas
poderiam ser feitas
em relação à
utilização dos PEs.
As respostas não são
tão simples e
envolvem um bocado
de teoria
matemática. Na
verdade, os PEs são
estratégias
utilizadas para
obtenção de dados de
forma que a análise
destes forneça
respostas que
poderíamos dizer
estão otimizadas
pelo plano em
questão. Uma das
propriedades
importantes dessas
respostas é que elas
sejam precisas, ou,
pelo menos, tenham a
maior precisão
possível. Assim, uma
das características
dos PEs é fornecer
respostas que tenham
a melhor, ou ao
menos a melhor
possível, precisão,
o que, em termos
estatísticos quer
dizer: tenham a
menor variância
possível. Menor
variância significa
ter menor
variabilidade. Vale
lembrar que a raiz
quadrada da
variância é o desvio
padrão e que deste
deriva o coeficiente
de variação (CV)
freqüentemente
referido nos estudos
para avaliação da
bioequivalência.
Para dar uma idéia
de como uma
estratégia de
obtenção de dados
(ou seja, aplicação
do PE) pode alterar
a precisão dos
resultados obtidos,
consideremos um
exemplo simples.
Tomemos uma balança
daquelas antigas de
dois pratos na qual
se coloca o que se
deseja pesar em um
dos pratos e, no
outro, ‘pesos’ com
massa conhecida até
que haja equilíbrio
dos pratos. A massa
total utilizada para
equilibrar os pratos
da balança é o
‘peso’ buscado.
Suponhamos que temos
dois pacotes A e B
com massas,
respectivamente, MA
e MB, as
quais desejamos
determinar. Para
isso, podemos
colocar o pacote A
em um dos pratos da
balança e medir sua
massa da forma
comentada acima. É
inerente a todo
processo a
existência de
variabilidade e,
assim, a
determinação da
massa dos pacotes A
e B está sujeita a
uma variabilidade,
ou ainda, a
determinação de MA
ou MB tem
uma variância, que
vamos chamar de V.
Note-se que a
variância V é do
processo de medida,
não importando se
estamos lidando com
o pacote A, B ou
qualquer outro.
No lugar de usar a
estratégia comentada
acima podemos
utilizar uma outra:
coloquemos os dois
pacotes A e B em um
dos pratos da
balança e
determinemos a sua
massa, ou seja MA
+ MB, que
vamos chamar de MA+B.
Logicamente, a
variância de MA+B
é, novamente, V. Em
um segundo passo,
coloquemos o pacote
A em um prato, o
pacote B no outro e
equilibremos os
pratos com os
‘pesos’ necessários.
A massa desses
‘pesos’ refletirá o
valor de MA
– MB, ou
seja, a diferença
entre as massas que
vamos chamar de MA-B.
Novamente, esse
processo de medida
deverá ter variância
V. Se conhecemos MA+B
e MA-B,
será muito
simples determinar MA
e MB,
pois temos um
sistema de duas
equações com duas
incógnitas. Assim,
podemos determinar MA
e MB de
duas formas
distintas: ‘pesando’
os pacotes A e B
separadamente ou
determinando a soma
e a diferença de
suas massas.
Qual a diferença –
se existe alguma –
entre as duas
estratégias? Vejamos
como fica a
variância no segundo
caso. A massa de MA,
por exemplo, será
determinada
somando-se as duas
equações, da
seguinte forma:
(MA
+ MB) +
(MA – MB)
= MA+B +
MA-B
(MA
+ MB + MA
– MB) = 2
× MA = MA+B
+ MA-B
MA = (MA+B
+ MA-B) /
2
Portanto, a soma dos
valores obtidos
dividida por 2,
fornecerá a massa de
A. Para determinar a
variância usemos
algumas propriedades
da variância. Assim,
var(MA) =
var[(MA+B
+ MA-B) /
2] = 1/4 × var(MA+B
+ MA-B) =
1/4 × [var(MA+B)
+ var(MA-B)]
=
1/4 × (V + V) = 1/4
× 2 × V
Finalmente, chegamos
a var(MA)
= V/2. Portanto, a
simples estratégia
de medir a soma e a
diferença das massas
dos pacotes A e B,
reduziu pela metade
a variância da massa
de A. Da mesma
forma, a massa de B
será, também, V/2.
Assim, de modo
semelhante, o plano
experimental foi
criado para, entre
outras coisas,
fornecer dados que
permitam obter
estimativas com a
menor variância, ou
seja, com a maior
precisão possível.
Portanto, os planos
experimentais não
devem ser alterados
sem se conhecer
plenamente as suas
propriedades.
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