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Dr.
Antonio
Amarante
Responsável
pelo
Departamento
de
Estatística
da
Scentryphar
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Para a realização de
um teste de
hipóteses,
estabelecem-se duas
hipóteses: a
hipótese nula (H0),
em geral igualdade,
por exemplo, de duas
médias e a hipótese
alternativa (Ha),
por exemplo, de
diferença entre as
duas referidas
médias. H0 somente
existe para ser
rejeita e, nunca,
aceita. Assim, o
teste estatístico
buscará nos dados
evidência contra H0:
se encontrada, H0 é
rejeitada e, caso
contrário, diz-se
que os dados não
mostram evidência
contra ela. Em
bioequivalência (BE)
a situação é um
pouco mais
complicada, já que
desejamos mostrar a
igualdade ou
equivalência entre
as médias das
formulações T e R.
Para isso,
utilizam-se as
idéias de Schuirmann
(1969) e H0 e Ha são
invertidas, o que se
consegue utilizando
dois testes
simultaneamente, com
duas hipóteses nulas
e duas hipóteses
alternativas: H0 do
teste de Schuirmann
diz que as
formulações não são
BE e, Ha, que são BE.
Antes, porém, do
estabelecimento das
hipóteses, é preciso
estabelecer o
conceito de BE.
Esta, por convenção,
é definida quando o
intervalo de
confiança (IC) da
razão entre as
médias geométricas
das formulações T e
R estão dentro de
certos limites, em
geral, mas nem
sempre, iguais a 80
e 125%. Outros
critérios e limites
podem ser usados.
Outro ponto a
considerar é a
capacidade que o
teste de Schuirmann
tem de comprovar a
BE entre as
formulações quando a
BE realmente existe.
A essa capacidade,
dá-se o nome de
poder, o qual,
formalmente, é
definido como a
probabilidade que o
teste tem de
rejeitar H0.
Estamos, portanto,
tratando de duas
situações distintas:
a primeira, o
critério que
estabelece a BE (por
exemplo, IC da razão
das médias
geométricas de T e
R, estarem entre 80
e 125%) e, a
segunda, a
capacidade de
mostrar a BE.
Aparentemente isso é
bastante claro,
porém, tem sido
freqüente se
confundir essas duas
situações: a
probabilidade de
estabelecer ou
demonstrar a BE (o
poder do teste) e a
probabilidade da
existência da BE
entre as formulações
T e R, lembrando que
isso depende de um
critério, por
exemplo, os limites
80-125% do IC.
Discussão sobre esse
tema tem surgido em
razão da solicitação
da agência
reguladora
brasileira para
apresentação do
poder do teste para
comprovação da BE.
Argumenta-se que,
além de o IC
calculado estar
dentro dos limites
pré-estabelecidos de
BE, seria necessário
que o poder do teste
houvesse sido igual
a, pelo menos, 80%.
Tal poder aparece às
vezes na literatura
Estatística com o
nome de ‘poder
observado’ (entre
aspas), pois, como
se trata de uma
probabilidade,
somente tem sentido
seu cálculo antes da
ocorrência do evento
ao qual ele está
associado. Vejamos
um exemplo para
ilustrar. No caso de
um estudo realizado
com 20 voluntários
no total, em que o
coeficiente de
variação (CV) foi
igual a 42%, a razão
entre as médias
geométricas das
formulações T e R
foi igual a 100% e o
IC calculado foi
[80,17%; 124.74%].
Fica difícil
imaginar que as
formulações não são
BE. Em primeiro
lugar porque a razão
foi de 100% e, em
segundo lugar,
porque o IC está
dentro dos limites
80-125%. No entanto,
o poder, nesse caso,
foi igual a 10,6%,
valor baixo, em
razão do pequeno
número de
voluntários usados
no estudo
relativamente ao
valor do CV. O poder
é baixo porque o
teste, por pouco,
não foi capaz de
mostrar a BE e, não,
porque as duas
formulações tinham
baixa probabilidade
de serem BE.
Passemos para algo
um pouco mais
formal, do ponto de
vista matemático. O
nível de
significância (que
em última análise
fornece a amplitude
do IC) e o poder são
variáveis aleatórias
P no intervalo [0,
1] e com
distribuição de
probabilidade
conhecida. Ambos os
valores (nível de
significância –
freqüentemente
relatado como
valor-p – e
poder) podem ser
calculados a partir
dessa mesma
expressão que
representa a
distribuição de
probabilidade da
variável P. Isso
implica que, dado o
nível de
significância, o
poder está
completamente
determinado, pois há
uma relação inversa
e de 1 para 1 entre
eles: quando um sobe
o outro desce e
vice-versa. Quanto
mais baixo o valor-p
(e, portanto, mais
evidência a favor da
BE), maior o poder
do teste de
Schuirmann. Esse
assunto é bem
discutido em um
artigo de Hoenig e
Heisey publicado em
importante revista
da área, The
American
Statistician, de
fevereiro de 2001,
cujo sugestivo nome
é: ‘O abuso do
poder: a disseminada
falácia do cálculo
do poder em análise
de dados’. Vários
outros artigos e
livros existem na
literatura
Estatística,
discutindo a real e
correta utilização
do poder (que sempre
deve ser usado no
planejamento de um
estudo), bem como
criticando, com
seguros subsídios
matemáticos, a
postura de alguns
que insistem em
defender a
apresentação e
importância do poder
de um teste
estatístico que já
foi realizado.
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